Autoaceitação: E tudo mudou

Você precisar ter 70 quilos, 60 cm de cintura, rosto simétrico, cabelo liso, queixo duplo. Padrões. Padrões. Somos mais de sete bilhões de pessoas. Todas diferentes entre si (ok, gêmeos nem tão diferentes assim), mas querem que todas as pessoas sigam um padrão, um rótulo pré-definido daquilo que julgam belo. Mesmo que não seja possível estabelecer um padrão em pessoas. Se fosse, já nasceríamos todos parecidos entre nós. E não, não nascemos esculpidos em formas iguais. Nascemos moldados à mão, cada um com suas particularidades, singularidades, belezas.

Com a insistência de empurrar nos outros o padrão do que lhe parece belo, agradável aos olhos, acaba por minar autoestimas, amor próprio, pessoas. Sim, pessoas. Pessoas adoecem, morrem ao não se aceitarem por buscar um padrão que é imposto a ela, em salas de cirurgias, em procedimentos cirúrgicos clandestinos, tirando a própria vida.

Houve um período da minha vida, que eu gostava de afirmar que eu era singular, que igual a mim não existia. De certa forma isso envolvia a forma peculiar de encarar o mundo, mas também certo contentamento com minhas formas físicas. Mas, a partir do momento em que a calça de menor número fabricado por uma empresa simplesmente desceu fechada (pois eu era mais magro que ela) aquilo começou a martelar na cabeça, bateu aquela frustração e como não havia maturidade ainda, comecei a ceder aos anseios da padronização estética. Resolvi que precisava ganhar peso, que precisava diminuir meus lábios, que precisava reduzir meu nariz, que precisava isso, que precisava aquilo e o não alcance dessas necessidades ia minando minha forma diferente de ver a vida. Fui tentando ser uma pessoa normal. Abandonei minha singularidade para tentar ser padrão, ser mais um. E várias outras coisas fui eliminando ou sonhando em eliminar de mim para me adequar a esses padrões.

Até que, um dia que não lembro, um insight fez eu lembrar da frase que eu adorava dizer: "eu sou singular". E pensei comigo o porquê de ter abandonado aquele pensamento. Confesso que não cheguei a uma resposta clara, mas entrei no caminho de voltar a minha singularidade. Não sou igual a ninguém e sinceramente estou começando a amar isso. Hoje em dia já não sinto mais tanta necessidade de fazer mudanças na minha parte externa. Meu foco atualmente é me autoconhecer melhor e fazer minha parte interna ser melhor a cada dia, principalmente para mim. Minhas preocupações corporais e estéticas se aproximam mais aos cuidados de saúde do que de beleza em si. Não sou um mister qualquer coisa e está começando a ficar tudo bem quanto a isso.

Ainda estou muito longe da pessoa que quero ser, reconheço que estou apenas no começo da caminhada da autoaceitação. E saiba: não é fácil, não é confortável, mas sinto que vai valer a pena. Melhor: sinto que está valendo a pena essa jornada. Só me imagino como pode ser dolorido para a crisálida virar borboleta, mas ela provavelmente não desiste por causa dessa possível dor.

E estou começando a ficar em paz comigo.

E você, já se aceitou hoje?

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